Só pra não contribuir ainda mais para o abandono do Disparate, a autora aqui resolveu filosofar sobre as perspectivas de vida.
Ah, se Sócrates me conhecesse...
Voltando pra casa, depois das sagradas aulas de "Guten Morgen' do sábado matutino dei de cara com as minhas duas vidas. Sim, é um mais um. A vida que eu realmente tenho, e a outra que as pessoas acham que eu tenho.
Não sou tão boa de números, todos sabem. Por isso foi tão difícil dividir o eu de verdade, pelo eu que pareço ser.
Quando voltei à realidade estava parada no farol esperando o entregador de Coca Cola me chamar de "princesa". Era tudo o que eu precisava no momento. Que sublime! Que gentileza!Que romantismo inrustido naquele suspiro sacana do rapaz que, em seguida falou: Eu comia fácil.
E é facil mesmo. A vida, não eu. Decidi viver a vida que as pessoas querem que eu tenha, e esta sinceramente é a melhor de todas. Porque a nossa vida narrada e assistida pelos outros não tem sofrimento, sapato apertado, ônibus que atrasa mais de uma hora, falta de sexo, de elogio, grana curta e solidão. A vida deles pra mim é a mais fácil, com mais dinheiro e com uma coleção de Melissas que me custaram uma bagatela. Pra eles, os outros, os distantes, os nossos telespectadores e gossips de plantão eu não tenho medo, eu não choro e nem me descabelo pelo tédio. Em partes eles estão certos. Na parte das Melissas, acredito.
E deve ser isso mesmo. Somos o que parecemos e ninguém está nem aí quando esbarram na gente nessa selva de pedra. É bizarro dizer selva sendo que selva mesmo não tem ninguém, só mato ou só pedra. Eita ditado do censo comum...
E com esses pensamentos inertes, a procura de diversão em crônicas passei no blog de jornalista amigo meu e percebi que talvez, ele também esteja fudido. O rapaz do Crato não vai dizer o que realmente lhe apavora, o que lhe anseia e nem se a expressão "Estou confusa", escrita em mais uma de suas crônicas, foi dita pela sua companheira que o deixou talvez no metrô lotado na Consolação. Pelos posts, o querido precursor do manguebit deve estar em apuros, mas confio no poder da cachaça que lhe fará esquecer o recente galho ou, quiçá o pé na bunda. É bem provável que ele também tenha essas duas vidas. Se não, tu disfarça muito bem, Cabron!
E sem querer ser igual mas já parecendo, digo aqui mais uma asneira mas que confirma a paranóia ou a filosofia: Me perdi na aparência, no limite do cartão de crádito e na cultura universitária. Mas prometo que voltarei a me enlouquecer na futura redação.
Pequenos vícios
5 horas atrás