sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os índios serão sugados



Vai acontecer com os indígenas a mesma coisa que acontece com o lixo em Estocolmo, que vai parar debaixo da terra para ser reciclado e ser transformado em mercadoria. Só que com os índios é um pouco diferente; continuarão sugados pelos direitos mercantilistas que tomarão cada vez mais suas terras, destruirão suas áreas verdes e  extinguirão gradativamente sua legitimidade cultural histórica.

Eles precisam desaparecer para a agropecuária crescer. Produtores precisam cada vez mais de espaço para investir no plantio de soja, engordar a Friboi e deixar o governo brasileiro bem na fita com um PIB que avançou num todo 0,6% da economia no primeiro trimestre de 2013. Um dos motivos que levou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em junho deste ano a pedir novo formato da política indigenista, alegando que o setor tem peso econômico no país e que a população indígena e que a politica de demarcação de terras impede o desenvolvimento do setor.

A ONU, em julho do ano passado, publicou uma nota e cutucou sutilmente a medida do governo Dilma, que, de uma forma desapercebida, não dá importância aos tratados de análise das políticas indigenistas. A portaria 
303/2012 da Advocacia Geral da União(AGU) prevê a orientação aos advogados de tomar providências relacioandas à assuntos indígenas sem consultar o órgão Federal. A AGU consegui o poderio desgarrado de auditar a gestão de direito de posse das terras eximindo a ciência da Funai a respeito.

A Organização Internacional puxou a orelha dos petistas ao lembrar que os tratados e inclusive
  a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil faz parte, estabelece que as populações tradicionais devem ser consultadas nessas situações. Foi mais uma manobra para se esvair das críticas. Um belo papel de órgãos "desavisados".

E por falar em belo, a construção da Usina lá Pará sob projeto do PAC(Programa de Aceleração do Crescimento) vai de vento em poupa depois da aprovação dos licenciamentos ambientais  pelo juiz Marcelo Honorato. Ele assou por cima da CIMI (Conselho Indigenista Missionário) alegando que a área da construção e a abrangência
 não tinha relação alguma. Eu vejo, e muita. Quanto maior a devastação ,maior o desmatamento e depreciação do legado cultural, pois as tribos se dispersarão, assim como parte da história nacional.

 Nessa linha tenue entre poder e terra existem o conhecimento da biodiversisdade da qual o povo indígena é detentor e que num piscar de olhos, através de acordos majoritários entre aldeias e ministério público, vai continuar levando o conhecimento da medicina das ervas e plantas para fora do nosso território e enchendo os cofres das  farmacêuticas internacionais. 

Os índios podem até serem chamados de assassinos por terem matado nove servidores num espaço de 15 da Funai que cercaram as  as terras do Vale do Javari, interior do amazonas. Eles não abriram mão do direito de permanecerem isolados, pois deve ter sido a única maneira de preservação, depois de chegarem a real conclusão de que os acordos só lhes renderam meros subsídios como também nem o direito de articulação fora do Congresso. 

O povo dono de 274 línguas particulares de suas terras, e da sabedoria singular sobre os melhores remédios da natureza pedem o espaço para se reservarem, antes de serem levados à penitencia pelos canos da desigualdade.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Regime de sentimento



Vou fazer uma dieta. Dessa vez não é o chocolate, a pizza nem a lazanha que saem de cena. Vou dosar meus sentimentos, te cortar dos meus pensamentos, te deixar só no subconsciente para ver se pelo menos assim você me deixa trabalhar em paz.

Vou racionar minha volúpia, interromper o chat no face, desativar o whassap. Deletarei seu número do meu telefone, mas antes, como quem não quer nada além de enganar a si mesmo, vou deixar anotado na agenda velha no fundo da gaveta.

Já agendei um analista e vou conversar com ele do mesmo jeito que dialogava com o endócrino sobre a minha ansiedade por açúcar. Pretendo passar lá toda semana para ver se a cada dia eu deixei um décimo da sua presença  na beira do meu esquecimento.

Bati um papo com alguns nutricionistas. Eles já me conhecem antes de você- são meus amigos- e podem me dizer como que eu faço para parar de pensar no seu rostinho meigo o tanto quanto eu deixei de pensar em brigadeiro.

Vou calcular as calorias da alma na dieta dos pontos e contar quantas vezes sua hostilidade já me fez chorar. Vou deixar de atender suas ligações. Entrarei em recesso de você para ver se eu me equilibro.
Vou chorar escondido lembrando daquele beijo que me deu de madrugada à caminho da capital daquele país que mudaria a sua história.

Comprei passagens para o Sul. Vou passar uma semana longe daquele barzinho onde nos encontramos muitas vezes. Quem sabe assim eu não me reencontro, me concentro e ponho em prática a ideia de continuar o livro das crônicas  de amores solúveis.

Vou correr mais. Pegar mais ferro e passear com o meu cachorro por mais tempo. Uma dose de serotonina cairá nas minhas veias e me fará mais feliz ainda do que você me fez naquele final de semana de inverno.

Vou continuar lembrando de você, ainda que eu tenha emagrecido mais e me matado de tanto trabalhar, vou olhar no meu pefil do Face e ver que a nossa foto junto não é tão ruim assim.

domingo, 2 de junho de 2013

Equívocos



Quando a gente  foi tomar café para nos conhecermos melhor naquele domingo de manhã, pensei que o que seus olhos transmitiam era a verdade em estar ali me observando. Que te fazia bem ouvir minha voz e o meu discurso feminista independente que afirmava que eu conseguiria ficar sem te ver por muito tempo. Era a mais pura inverdade que consegui lançar só para não mostrar que na real eu voaria no seu pescoço e te beijaria facilmente.

Daí logo em seguida, depois da troca das centenas de mensagens ao longo da semana em que você dava a entender que se preocupava comigo, comecei a pensar que a gente poderia dar certo.

Naquela vez em que nos encontramos sábado à noite, antes do toró que molhou meu sapato azul camurça, imaginava que as minhas aspirações faziam alguma diferença para você, que sentado à minha frente, comia desesperado um lanche mas mesmo assim fazia cara de quem estava entendendo tudo o que se passava comigo.

Te mandei mensagens no celular feito adolescente, e em todas elas obtive as respostas que desejei. Foi  aí que escolhi acreditar que eu era a pessoa em que você pensava antes de dormir, da mesma forma como você era para mim. Achei que estava me enganando e me iludindo em doses homeopáticas. E quem nunca fez isso um dia quando garoto ou garota e repediu na vida adulta?




Fiquei mega feliz ao ver que suas mensagens inbox do Face chegavam para mim mesmo  de madrugada, provavelmente depois que você chegava da casa dela e ia tomar um banho para ver se te lavava a culpa em ter saído com uma e alimentado a esperança de outra.

Daí eu pensei que estávamos juntos, porque eu fazia um esforço danado para casar a minha agenda com a sua para te levar à estreia de um filme nacional que dispensei minhas amigas e pus você no lugar delas. Foi bom, eu sei. Tão melhor ainda foi perceber que nunca mais priorizo a sua pessoa entre as minhas amizades.

Pensei de novo que você tava a fim de mim quando conseguiu me encontrar antes da cervejada com os seus amigos. Só quando você foi embora saquei que se você me quisesse mesmo me levaria junto. Daí eu acordei e resolvi não mais insistir que você fosse correr comigo sábado de manhã, como nos acostumamos nos últimos seis meses.

Daí eu entendi que entre nós só rolou carinho e cordialidade. Doeu até aceitar totalmente a ideia de que não éramos o que tinha pensado.  Então eu me enganei de novo pela enésima vez e sentei no sofá para continuar escrevendo outros capítulos sem pé nem cabeça da minha vida em que em um deles você foi co-autor de um desfecho mequetrefe.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

pessoas preciosas


Pessoas preciosas

como manter uma dessas na nossa vida

Colecionamos momentos e sensações em todas as épocas da nossa vida. Desde o primeiro dia de aula na primeira série até a morte de um parente ou amigo, há um único denominador que nos move a lembrar dessas ocasiões; a emoção. É nessas horas que a adrenalina aflora, a pressão aumenta, a sensibilidade aguça e nos impressionamos exatamente com tudo. São dessas sensações que deveríamos nos valer todos os dias.
Quando damos o primeiro beijo a história é a mesma. Um turbilhão de expectativas pode ir pelo ralo diante de um nervosismo ou nos deixam  acordados metade da noite porque não conseguimos dormir direito pensando naquele momento ímpar da mistura de êxtase, medo e ansiedade.

Este conjunto de percepções formam o capítulo da nossa história em que aquela pessoa se torna especial pois conseguiu nos cativar por uma carícia ou por um jeito de falar. São sentimentos rasos que nos prendem ao outro ser borbulhando de volúpia. Esse prazer é bom. O que entristece é acreditar que na dolescência nossas relações são baseadas nesses pilares solúveis.

A medida em que crescemos mudamos a forma de pensar sobre a referência de alguém especial. Levamos em conta a consideração dela por nós e percebemos se ela conseguem ficar ao nosso lado quando vomitamos por beber demais naquela festa ou se o carinho dela ainda persiste depois do vexame que a fizemos passar em público e pedimos perdão.

A gente também elenca os contras para ver se ela continua na nossa vida. Acredito que mais que mensurar e fazer análises das relações,  gostoso é viver o cotidiano na tentative de alcançar a paz do coração do outro.

Isso pode acontecer de repente, por acaso, trombando com um amigo do colegial que te apresenta o novo colega de faculdade que ele acabou de conhecer. Olhares, mãos, ideias e sensações se cruzam e seguem rumo à estabilidade emocional que um dia tanto desejamos. O outro chega na nossa vida e não é mais chamado como estranho. É portanto uma preciosidade em forma humana.

Deve ter sido assim com Chirs Medina, autor da declaração de amor em vídeo para a namorada Juliana Ramos. O rapaz de 27 anos fez um vídeo na data em que ele a pediu em casamento. Infelizmente em 2009 ela sofreu um acidente que a deixou paraplégica em uma cadeira de rodas.

Mesmo que Juliana se encontre debilitada e a convivência com ele pareça um fardo, isso é só impressão. Chris não se importa em carregá-la nos braços embora a situação não seja nada romântica. Chamo isso de amor incondicional. Que ultrapassa a barreira das dificuldades que encontramos. É nessa hora que deveríamos lembrar de não colocar impecílio nas minhas próprias metas, muito menos nas oportunidades de fazer feliz quem a gente gosta.
Fico pensando se ele já não teve vontade de jogar as coisas dela pela janela e Julian, se não teve a oportunidade de bater na cara dele e brigar para valer por algum motivo relevante. Certamente sim. E não deve ter sido poucas vezes. Não dá para saber qual foi a intensidade desses barracos sentimentais, mas uma coisa é certa. Eles se amam de verdade e Chris parecer ter um grau maior ainda de caridade por superar tudo isso ao lado dela.

Tenho certeza de que todo mundo gostaria de encontrar um Chirs Medina no meio do caminho. Aos que já encontraram recomendo parcimônia nas repreensões ao parceiro para não sofrer um remorso causticante caso o destino leve embora quem tanto te prestigiou. Indico também praticar o amor incondicional como o rapaz aí fez. Acima das desavenças e  possíveis circunstâncias dolorosas continuar amando quem te faz um bem danado.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Além das dádivas


Celebrar a vida nos pequenos detalhes faz uma diferença danada. Quando nos damos conta de como cada movimento do nosso corpo é importante, refletimos sobre a dificuldade que as pessoas com mobilidade reduzida têm para conduzir um copo d’água à boca, dar pequenos passos e o perrengue que é se deslocar numa megalópole sem infraestrutura suficiente. Todas essas reflexões nos tornam humanos, a ponto de olhar o próximo com mais sensibilidade e perceber que se não fosse a misericórdia de Deus teríamos perecido há tempos.

Acredito que bons momentos e fatalidades têm o mesmo valor divino atrelado aos propósitos. Cada situação benéfica que nos ocorre tem um significado enorme nas nossas lições diárias. Nossos testes de paciência e gratidão nos são enviados espontaneamente graças à soberania de Deus em provar os seus servos no tempo propriamente Dele. E não é diferente com as atrocidades e perdas, aos quais estamos sujeitos a presenciar.

Jesus Cristo nos avisa, através do livro escrito por seu discípulo João, no capítulo 16, que teremos aflições, mas se estivermos Nele com bom ânimo, as tribulações não exercerão tanto impacto em nossas vidas. O verbo é certo, pois como o futuro a Ele pertence, já estava predestinado que assistiríamos de camarote alguns fracassos das nossas vidas. Ou ainda, seríamos o ator principal. Mas alivia pensar que Ele está conosco para não dos deixar naufragar no mar de nossas lamentações.

Amar a Deus e seus preceitos sobre todas as coisas é a chave para internalizar o nosso papel cristão nesta Terra. Por mais que a conta chegue no vermelho, que o preço do tomate suba loucamente, que o nosso ente querido ainda não tenha entendido o significado do perdão, que o nosso melhor amigo pise na bola toda a semana, que os mais chegados ou nosso pais não estejam mais em nosso meio, temos que internalizar a retidão a Deus nessas e noutras circunstâncias.

Pensem como o amor de Deus pela nossa vida é imenso. Ele já deixou escrito que os momentos de incredulidade bateriam à nossa porta. As dúvidas sobre se Ele continua a ouvir nossas orações, infelizmente tendem a ser o primeiro pensamento do dia. Mas assim como descreveu Habacuque, ainda que decepcione o fruto da oliveira, ou seja, por mais que situações e pessoas nos decepcionem, todavia me alegrarei no Senhor.

E tem como não ficar triste quando alguém morre ou ao término de relacionamentos? Para alguns o desespero é o único amigo, mas para quem se conscientiza que cada qual deve levar a sua cruz, -assim como Paulo tinha um espinho na carne mas não deixou de levar o Evangelho, suportará o bom combate- é o que temos como consolo de alma. E tudo passa. Ainda bem.

Que as adversidades não nos afastem da graça divina e do cuidado do Mestre. Os nossos sentimentos devem ser como o da mulher do fluxo de sangue, que surtiram efeito em meio ao alvoroço da multidão. Andar com Deus é ter consciência de que estamos na contramão mais perfeita que poderíamos estar. É entender que se aceitamos Jesus Cristo como nosso amigo, pai, irmão e guia fiel, Ele nos assistirá em meio a tudo isso. Nosso exercício, embora naufraguemos, é entender que por graça ainda estamos aqui por algum motivo.



Enquanto isso, amar a Deus sobre todas as coisas implica fazer coisas que nosso juízo teima em não aceitar de primeira. Muita vezes para alcançarmos desejos do coração que foram protocolados com o aval Dele, temos que render graças pelo que menos compreendemos. Há situações que Deus não nos faz saber o porquê de as experimentarmos. Mas a certeza que tenho é que em meio a minha dor, alguém se fortifica na fé e no amor de Deus e pode até cessar o lamento por algum motivo.

Viemos ao certo para sermos imagem e semelhança Dele e para que isso aconteça percorremos caminhos árduos. Mas Ele nos quer assim. E gratificante é pensar que não é para sempre. Amanhã quem tanto te incomodou precisa ser ajudado e você precisa estar lá, manso e humilde. Fazer o que? Amar, compartilhar e superar. Uma hora ou outra a situação muda e você percebe que aprendeu a perdoar, e o outro amadureceu.

Aos casados, que vivam a integralidade da relação com o mentor Jesus Cristo. Que observem a natureza juntos, o cantar dos pássaros e a respiração dos filhos ao cair no sono. Momentos são folhas de outono no vento do esquecimento. Vale guardá-las, porém o aroma se perderá. Não deixe de cheirá-las enquanto pode, ainda que o trabalho, o trânsito te consumam e ofusquem o valor disso tudo.

Aos que ainda não encontraram uma pessoa especial ou não querem se relacionar, que escolham a comunicação e a retidão com o Altíssimo, busquem viver tal época de suas vidas com o maior comprometimento, pois é a melhor prova de amor que podemos dar a Ele enquanto vivermos. Servir a Deus enquanto solteiros é a prova dos nove que Ele precisa para ter certeza de que conseguimos viver em prosperidade de espírito, abundantes em graça dentro de nós, mesmo que ao nosso lado não exista ninguém fisicamente.

Se há um bom propósito para Deus, este é que sejamos humanos para todos aqui na Terra. E acredite, quando você estiver arraigado no solo do coração Dele, firmado na Rocha não só feita de promessas, mas de salvação e paz de espírito, ele sobejará dádivas e a pessoa que você tanto pediu aparece. E olha que acontece quando você não está tão necessitado assim. Bom é saber que Ele vela pela sua palavra para cumpri-la.

Amar a Deus sobre todas as coisas, sobre as dificuldades e decepções é a receita para viver em paz. Nós sabemos que Ele é fiel. Agora o validar da nossa fé é estar com Deus pelo que Ele é, não tão somente pelo o que pode nos dar. Ele observa nossa lealdade com ou sem bens, casamentos, e títulos terrenos que conquistamos. Ele quer sobretudo nossa intimidade espiritual. Sigamos por fim na conquista pelo coração Dele, além das dádivas que ele pode nos oferecer.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Amor em metáforas


Amor não suplica. Amor implica. Resulta em longas etapas de parcimônia, benignidade, e pureza vividas entre dois interessados. Amar não é cargo vitalício. É vaga temporária. Para preenchê-la e mantê-la é preciso perseverança, solicitude, determinação. A criatividade para entreter o outro precisar ser constante.  Criar motivos para ouvir a pessoa, mesmo que até de madrugada, depois do  programa do Jô Soares, de preferência.

Ser ouvido e tolerado também é bom. Banho e cafés da manhã demorados precisam fazer parte da receita do envolvimento. Sem se preocupar com a conta que vai chegar depois, porque provavelmente ele vai te ajudar a pagar. Vai te ajudar a apagar os conflitos internos com um corretivo bem particular assim como o timbre de voz dele, único e sinfônico que te alarma aos domingos.



 

Amar é criar artifícios constantes para ser notado. Um exercício quase diário. Se não conseguir por muito tempo, considere-se um empreendedor que recindiu o contrato com o fornecedor por falta de verba. Para alavancar os negócios apostam boa parte das suas ações em uma nova tendência de mercado. Se o retorno não foi com o desejado, desfazem parcerias e encerram a conta na Bovespa do sentimento. Deveríamos aprender a empreender melhor nossas emoções.

Imagina se eles lamuriassem pelo rombo que a concorrência fez no capital deles.  Por isso jogam as redes em outras baias, caçam novos colaboradores e não muito depois, puxam o anzol com bons resultados.  Acho que o Eike Batista ama bem pra caramba. Ele demitiu funcionários depois da queda das ações, caiu 93 posições, mas continua entre os mais ricos do mundo. Eike não deixou de valorizar-se. Todo mundo deveria fazer isso também.




Do mesmo jeito que fruta madura depois que cai do pé, amor tem prazo de validade. Alguns romances perduram a barreira da distância entre cidades e continentes vizinhos. Outros tentam cruzar oceanos, se perdem no mar das emoções alheias mas não chegam no destino desejado.Amar é andar de mãos dadas no escuro esperando tropeços e escorregões. Vale acreditar que quando isso acontecer ele estará ao lado para cair junto na lama.
 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Recado atravessado

Ei, garota mais nova e pele mais clara que acabou de tirar o aparelho e sorri infantilmente nas fotos do Facebook da vida. Vai lá e diz para ele que eu, ao contrario de você, fiquei esperando ele ligar naquele sábado a noite e me chamar para uma pizza do fim a qual você com certeza foi no meu lugar.


Quando o encontrá-lo depois do expediente, porque é mais fácil você do que eu que fui trocada por uma faxina em plena sexta, diz para ele que eu gostaria de conhecê-lo melhor assim como você, garota que abusou do batom vermelho e deve ter conhecido antes de mim o que os lábios interessantes do rapaz bom de papo tinham para me falar e me fazer sentir.




Você mesmo, jovem de nome meio esquisito - não sei se Damiana, Deisiane ou Daniela- cabelo tingido e de bom corte, que numa hora dessas já ganhou o espaço de destinatária das mensagens românticas que ele me mandava no meio da tarde. Vai lá e diz para ele que você teve sorte de ter conhecido um rapaz com quase 30, solteiro, sem filhos, e com um carisma surpreendente.

Avisa aquele paulistano de gosto refinado, que usa perfume caro e amadeirado, aquele que nunca mais esqueço o aroma que me fez perder a concentração naquela reunião religiosa que fomos juntos. Fala que a partir daquela noite acreditei que ele estava na minha e que eu estava me dando bem no jogo da conquista, pois marcamos uma corrida no Ibirapuera no domingo pela manhã e deu tudo certo.

Liga para ele e reforça a ideia de que eu sabia que ele não queria me ver naquele feriado, depois de ter dado a desculpa que teria que frequentar a convenção da empresa por quatro dias, lá no interior de Minas. Foi justo no dia que ele mesmo já tinha combinado que faria um trabalho altruísta comigo. Deve ter sido você o evento mais importante daquele fim de semana assim como eu fui no fim do verão. Explica que quando ele começou a frase com a palavra “Então...” eu já saquei que ele não queria ir. Pode acabar falando que naquela altura da relação eu só não tive a humildade de aceitar que eu não era mais prioridade.



Quando ele te levar para o mesmo restaurante que me levou num almoço de outono, comenta que eu já entendi que no dia que ele usou a desculpa do rodízio para não atravessar a cidade para me ver, foi porque te encontraria no metrô e te levaria para uma exposição Cult na av. Paulista, a mesma que eu já tinha visitado com ele antes. Diga que doeu para caramba ter visto você, menina baixinha de aparência meiga, colocar na página principal daquela rede social uma foto meio plano de um casal no parque, simulando que você e ele estão numa boa.

Faz assim, passa lá na casa dele, leva um vinho tinto e conversem sobre a mulher inteligentíssima que sou, porque ainda não morri, a não ser de amor por ele. Deita com ele no sofá, conversem sobre cultura, política e os filhos que talvez você tenha com ele. Não muda de canal no meio jogo do Santos só pra ver a chamada do jornal da Cultura. Ele fica possesso e perde toda a graça. Contorna a situação, faz um cafuné, faz um charminho feminino, mas não esquece de falar que quando o conheci naquela noite, não consegui pregar os olhos para dormir, de tanta felicidade.



Manda um email pelo menos e diz que lá no fundo, eu fico feliz por ele ter te conhecido. Que no momento você tem mais a ver com as fanfarrices dele, quando ele se mostra mais infantil ao lado de uma mulher mais nova e despreocupada como você deve parecer. Ele é gente fina, bem disposto e bem humorado. Você já deve ter percebido.

Espero que dê certo por um tempo, porque dificilmente uma garota vai fissurá-lo como a Mariela, uma ex dele que com certeza não saiu daquele coração. Ah, avisa que quando ele me ligar eu não atenderei porque apaguei o número dele. Mas pode dizer que ainda posso falar com ele via Skype sobre os projetos paralelos da carreira dele. Faz um favor, some o mais rápido possível porque eu vou voltar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quando eles choram

e o que sentem os homens em segundo plano


Uma boa seleção de músicas de David Bowie, meia panela de brigadeiro caseiro e uma comédia romântica de TV a cabo fazem parte de um kit melancolia muito comum entre as adolescentes. Mas e quando a fossa vem do lado oposto, e justamente causada por nós, donas da progesterona incutida no DNA feminino?

Boa parte das garotas da minha idade sabe do que digo. Momentos de tristeza profunda e sensação de ser a última bolacha do pacote acontecem até com as mais populares de um grupo. Nos tornamos indisponíveis e com "cara de nada" diante do museu da arte sacra que massacrou nosso coração. E sabemos, uma hora ou outra, que demos a volta por cima.

Gastei um tempo a mais  para entender a reação dos homens ao levarem um fora. Alguns não aceitam na boa e partem para cima da jovem mais vulnerável para ver se impressionam aquele primeiro alvo. Ao me ver, estes conseguem deixar o sonho de conquistar aquela moça cada vez mais longe.

Chega ser extremamente infantil quem se presta ao trabalho de colocar essas melancias podres no pescoço. O que era para ser a saga da caça ao tesouro vira um uma brincadeira de esconde-esconde ao inverso. Ganha aquela que conseguir ficar mais tempo off da vida do cara e manter a integridade sentimental mais longe ainda.

                               

Há os que se apoderam do Don Juan ismo nos momentos de tristeza. Eles refletem, remoem, encafifam pela postura que tiveram mas não desanimam de tentar. Faz parte do universo masculino ir à caça das avulsas bem resolvidas, nem que para isso demore algumas semanas.

Os mais emotivos até choram. E quando isso acontece já perceberam que é hora de mudar o foco das suas energias interiores. Geralmente procuram alternativas práticas de liberarem seus hormônios sem qualquer forma de consentimento. Optam pela partida de pôquer, dama ou algo que lhes traga mais adrenalina. Não querem curtir a solidão num quarto como elas.

Ligam para os amigos e marcam o futebol do domingo. Os da geração Wii reúnem os amigos para os campeonatos ou partidas no Winning Eleven. Não importa a versão. O que vale é a distração para driblar a não aceitação.

Olham para as mulheres na rua mas nenhuma os chama a atenção. Preferem observar, quando dá, e sem cobiça. São, como a natureza os quis, práticos e objetivos até para resolverem assuntos tão subjetivos como esses. Muito justo, eu diria. Tratam do coração assim como opera o sistema binário dentro de um computador; analíticos, sucintos e diretos.

Ainda é interessante saber daqueles que se apaixonam de verdade e projetam a felicidade sem tratar das evidências. Um perigo, mas rola. Um amigo meu apaixonado por outro rapaz na época insistia em me dizer que a relação deles amadureceria com o tempo. Ele ao certo não via que o rapaz não levava as coisas tão a sério quanto ele.




O assunto dos nosso encontros sempre era o Deco. Meu amigo fez este cara o centro das atenções dele durante uns 6 meses. Demorou para ele sacar que o Deco só queria amizade. Doeu para caramba. É difícil aceitar que a doação de carinho que fizemos não foi aceita. Eles, ao contrário de nós parte imediatamente para outra para ver no que dá.

Um outro amigo resolveu gostar da moçinha do grupo de jovens da Igreja. Ela mostrou-se interessada em algo a mais que amizade e foi assim que ele entendeu. Ela floreou, jogo a isca e ele foi pegando ao longo das conversas e mensagens românticas que recebeu no celular. De repente ela avisa que acabou de sair de um relacionamento e que não quer se envolver. E aí, o que fazer com uma menina dessas?

Teve uma atitude de ninfa, daquela que seduz e pula fora só para deixar o interessado mais louco ainda. Meu amigo se sentiu atiçado e ludibriado. Ainda não desistiu de conquistá-la por inteiro. Mas antes da atitude predatória da sua espécie chorou bastante. Poucas vezes vi uma garota mexer tanto assim com um coração de testosterona. Me alivia pensar que de um jeito ou de outro eles também são feitos de açúcar.






quarta-feira, 27 de março de 2013

Evidências

 
 

 por que custamos em não aceitar o óbvio?

Fui para o dicionário ver a denotação de uma palavra que me confronta nos momentos de dores crônicas do ego. O sentido que me atraiu foi o da elevação. Quando uma relação não anda boa faz tempo, nem é preciso diálogo e questionamentos intermináveis. É só olhar em volta,  desacelerar o passo e ouvir os burbulhos do vulcão do ressentimento do companheiro ao lado.

 Entendi que não é preciso muito esforço para perceber o óbvio que muitas vezes custamos acreditar. Em uma amizade é comum a aproximação por uma comodidade. Alguém que tenha um tempo a mais para ouvir seus lamentos, conversar com seus fantasmas, te levar a um passeio ou te ajudar a empilhar os discos antigos que ganhou na infância, numa tarde chata de sábado. Você entende, retribui com o que sabe e imagina que na mente dele está tudo numa boa.

Eis o fatídico engano. A convivência é saudável, mas como todo investimento, uma amizade também traz riscos. E o primeiro deles é de ser mal interpretado. Embora haja verdade da sua parte, para o outro suas atitudes de uma hora para outra podem valer menos que 50 centavos. Triste, mas acontece. E procuramos entender onde foi que o outro fez a ideia errada do seu eu certo.

Todos, cada uma em uma medida e etapa distinta da vida, aprende a ouvir e ajudar o próximo. Alguns retribuem seu companheirismo mais rápido. Outros talvez nunca vão agradecer. E você segue quebrando um galho, rindo junto,  oras cedendo e se impondo. Acostumamos o amigo a sempre ter o nosso melhor e nos sentimos confortados quando ele nos acolhe.
O maior entrave é quando esse amigo do peito fez você se tornar possessão dele, ou uma espécie de propriedade exclusiva. Suas amizades antigas não são bem vistas e o que serve agora são os contatos e a história dele. Vive-se uma espécie de ostracismo  dois.
 
Tive uma experiência parecida quando comecei a frequentar novamente a casa de uma grande amiga que me conhece desde a infância. Sempre bem receptiva e pronta para ouvir e até dar roupas novas que nunca tinha usado. Em uma época passava o dia todo lá. Convivia de verdade. Conheci os pontos fracos e  sua austeridade.
Chegamos a participar de grupos religiosos no mesmo lugar. Ela me acolheu antes que caísse em uma depressão profunda. Saí desse universo melindroso sem a ajuda dos remédios. Agradeci muito a ela. Mas chegou um tempo que percebi que a tamanha proteção gerou um laço de moralismo e controle que era colocado em minhas faculdades mentais.
Após discussões dolorosas e dos vulcões em ebulição entre nós, fui concluindo que não valeria a pena depositar tanto tempo e disposição em uma relação doada, porém cobrada. É paradoxal rotular assim, mas faz sentido quando um das partes  publica seus defeitos e joga as latrinas existenciais no ventilador das redes sociais depois de um momento de insatisfação.
Procura-se repaginar atitudes por esta pessoa. Pensamos duas vezes e lembramos do passado dela dito por quem a conhecia antes. Evidenciamos através do discurso daquele circulo de amigos que agregamos. E então constatamos que a verdade em segundo plano, a dura realidade insana daquele amigo nunca deixou de existir.
Fato é que o prestígio desaparece e o desamor toma conta da cena em que a reciprocidade sem mágoas poderia habitar. Pensamos na angústia dele mas já não somos mais capazes de agir com tamanho altruísmo e deixamos o compasso da existência ditar o ritmo dessa relação.
 


segunda-feira, 11 de março de 2013

Silencioso barulho


e ausência do outro que nos incomoda



Vivemos sucumbidos de poluições sonoras diariamente. Desde que acordamos até o momento que chegamos em casa. Começa com o despertador ensurdecedor que, se não for assim, confundimos com canção de ninar e perdemos a hora, e termina com o som baixo, mas presente, do último noticiário na TV.


Para tentar escapar das exigências sociais da megalópole, fugimos para a praia deserta ou para a última colônia com chalés disponíveis da cidadezinha do interior. E nestes lugares não diferentes daqui, nos deparamos com o ruído de cada lugar.

Somos ensinados a procurar ambientes de paz, nem que para isso custe boa parte do salário para bancar esses momentos de serenidade. Conseguimos, temporariamente, desligar a mente das preocupações e mergulhar nas ofertas “zens” do mundo moderno.

Feito isso, voltamos para pegar no batente proletariado. Corremos mesmo sentados, pois a nossa mente viaja, questiona, constrói, reflete, desanima, desencana, sonha e prova que está em constante movimento. Pura ansiedade, claro.

Mas prefiro falar de um outro silêncio. Daquele que a pessoa que entrou na nossa vida agora é responsável. No começo de um relacionamento, uma amiga minha, muito ludibriada, atendia a todos os convites do tal pretendente.




Saiam quase todo final de semana e se falavam assiduamente. Trocaram elogios e poucas percepções carnais, o suficiente para que ela projetasse um compromisso sério. Penso que a garota confundiu cortesia com reciprocidade de afeto, muito comum entre as mulheres.

Muitas delas, na faixa dos 20 acreditam que o sinônimo de felicidade vem dentro de um terno, ou feito o conjunto de cuecas box em promoção. Amor é pacote fechado. Vem na medida e o outro aceita. Se for demais, não liga, dá meia volta e segue outro rumo.Dependência e insegurança é carga pesada para o parceiro. E quando o parceiro percebe, sai correndo com razão.

Ao longo da vida assistimos o casamento dos próprios pais e dos amigos mais próximos,  e somos ensinados a suprir necessidades emocionais do companheiro o tempo todo. Entretanto, na maior parte do tempo buscamos pessoas que nos somem. Um pouco egoísta, digamos. Mas é difícil agir diferente diante da tendência global que dita relações às vezes, a curto prazo, que nos fartem em tempo recorde.

Nem sempre quando ele a chama para um café quer dizer que é afim de você. Arnaldo Jabor expresso o drama em crônica. O jornalista Ivan Martins também relata a ilusão e expectativa frustrada de muitas garotas. É o que ele chama de distorção amorosa. Acontece. Estamos sujeitos a decepções.

O que incomoda minha amiga é sumiço repentino dele. Ela costuma se queixar dos “promotores” sentimentais da sua alma que tentam a todo momento a acusar de algo que ela fez ou deixou de falar. Acredito que é simples resolver esse antagonismo sentimental. É só somar atitudes e o próprio coração ajuda a perceber até onde podemos nos doar e sermos precebidos. Se no cálculo a estimativa não mostrar lucro, não vale a pena gastar tanta energia pensando em quem saiu pela porta dos fundos sem avisar.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Débora e seus balões

Inflou-se. Como o balão mais bonito de um campeonato de balonismo, sua alma encheu-se de expectativas e voou longe à procura das terras do coração daquele rapaz.Gostaria de ter a visão atmosférica do coração de Renan, que para ela ainda era um lugar inóspito.


Conheceram-se num sábado de verão à caminho de uma atividade altruísta. Levavam roupas, calçados e donativos ao pobres de condição social e ricos de espírito. Débora e Renan tinham em comum o amor ao próximo e tentavam descobrir se existia amor em comum.

Desde que o conheceu, foi paixão a primeira vista- daquelas que dão friozinho na barriga e tudo. Débora não sabia onde colocava as mãos. Se gesticularia demais para parecer descontraída, ou se ficar na dela seria a solução para que ele começasse o bom cortejo.

Por dentro, Débora tentava controlar o vulcão de sensações que criara por Renan. Foi para casa pensado no rapaz esguio do sorriso composto. Renan tinha os dentes tão alinhadinhos feito os famosos chicletes da caixinha.Renan falava bem. Seus 33 anos bem vividos se refletiam na firmeza, espontaneidade e gentileza.

Pagou picolés para Débora à caminho do sítio que levariam as doações. Pode ser que isso tenha empolgado ainda mais a moça que chegava na casa dos 30,mas que ainda carregava uma postura sentimental de uma garota de colegial. Tiveram uma conversa espontânea, falaram de viagens, pobreza, religião. Menos de ex- amores.





Ela era da geração das mulheres de atitudes, que sacam rápido o interesse e não perdem tempo para convidá-los para uma conversa agradável. Combinaram de se encontrar em shoppings, parques e igrejas. Ele como sempre disposto, não recusou nenhum convite. Ela, como sempre, mais empolgada do que nunca.

Como toda mulher apavoradamente apaixonada, Débora deixou que Renan tomasse conta dos seus pensamentos. Esperava ansiosa as datas dos encontros como criança esperando guloseima depois do almoço.

Mergulhada nessa esfera apaixonante ainda continuava a encher seus balões com afeto e perseverança. Fez ser lida subjetivamente por Renan, à espera que ele correspondesse na mesma medida.

Em doses simples de afeto e atenção, Renan dava a entender que ela o atraía. Mãos nos cabelos longos e adjetivos carinhosos ao pé do ouvido dela foram estopim para dar forma à paixão que a moça do corpo escultural criou.



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Débora dessa vez sentia que fazia parte de um romance.Só não contava com os ventos contrários, os mais comuns na competição em busca do espaço no coração de alguém.

Um dia Renan sumiu. Não ligou nem mandou mensagens se desculpando. Não soube por que ele perdeu o interesse. Débora já na maturidade, ainda convivia com as consequências do desencanto. Pensou que tivesse aprendido.

Quanto aos balões, Débora não colocou GPS. Não pôde rastreá-los para saber onde irão pousar. Também não quis mais apostar. Aprendeu a se divertir em vê-los no céu. É mais legal assisti-los pairando na esfera dos sentimentos alheios.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Se toca, meu amor!


quando a gente gosta, percebe-se

Procuro pensar que as relações mais sublimes e deliciosas acontecem no tête à tête. Tanto amizades de infâncias que se prolongam por décadas como os namoros que acostumamos a começar depois de um tempo de conversa.

Não tem nada melhor do que conhecer alguém pessoalmente. A vida nos propõe oportunidades dessas a todo momento. Basta estar atento a todas as possibilidades. Até aquelas que aparentemente não são tão excitantes assim, como levar um sobrinho no parque ou a avó na consulta médica de rotina.

O destino, que está acima das nossas percepções, muitas vezes nos reserva alguns bônus para que o coração ,quando sabe ouvir, leva para casa boas promoções em forma de sentimento. É como se fossem liquidações relâmpago em tempos de inflação de relacionamento.

Pessoas super interessantes e atraentes aparecem de relance em nossas vidas.  E todos estamos à venda no mercado das relações. E ultimamente, atrair e ser atraído é questão de tino, postura, olho aberto. Quem conquista mais rápido é porque geralmente entende a sintonia de atração quando deixa rolar uma boa conversa que, nem sempre no primeiro encontro, termina em beijo.

Desse ponto então começam os encontros que passam de casuais para planejados. As vontades mútuas crescem dentro de nós de forma que o outro toma nossa mente e nosso discurso. E quando isso acontece é paixão na certa. Muitos acham isso ótimo.

Como se tivessem chegado a uma terra frutífera que faziam ideia por muito tempo, mas da qual não tinham a autorização. Este espaço, na maioria das vezes, é o coração de quem a gente gosta. Enquanto vivemos a reciprocidade do afeto, tudo torna-se mais simples, leve, absolto.
 
 

Preocupo-me em falar dos que rascunham, estudam e projetam o amor mútuo a partir de  poucos gestos agradáveis e carinhosos do outro. Ivan Martins, escritor sobre relacionamentos, destaca que esse tipo de atitude não passa de confusão mental que, segundo ele, é cometida em larga escala pelas mulheres.

Muitas, depois de receber olhares e frases abarrotadas de adjetivos muitas vezes canalhas, decidem por liberar de vez a sentimentalidade. A princípio, ilusório. Por fim um erro do auto-engano.

Uma amiga me contou que só sacou que o cara que ela estava perdidamente apaixonada e amando platonicamente não estava a fim dela, depois de uma cantiga que um amigo em comum inventou. Dizia  que o moço que ela gostava não iria viajar se a Paula, amiga dela, também não fosse.

Pronto. Demorou mas ela caiu dos penhascos das emoções que criou. Foram mais de oito meses à espera da resposta deste ex para ver se depois da pausa que ele pediu, eles voltariam a namorar.

Triste engano. Minha amiga, nessa época ao 18, chorou amargamente e ainda foi pedir satisfações tardias. Doeu mais ainda. Mas foi útil porque serviu de lição para conquistar o atual marido. Ela deixou perceber a espontaneidade dos interesses e dessa vez, não pensou duas vezes.

As relações são garantidas por sinais e ações que recebemos. E eles quando gostam mesmo, não demoram para responder. Isso rola porque vem de dentro, sem niguém apontar, dar indícios ou simular. O amor, no começo e no fim, é quem encontra as coisas.