terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Neto de Francisca - uma quase romance em Paranapiacaba

Entre pasta de dente, escova de cabelo e água morna, Amanda vagava em questões retóricas da sociedade em que se encontrava: Será que consigo me realizar profissionalmente antes dos 30? Comer carboidrato depois das seis da tarde engorda? Creme antissinais aos 25 resolve mesmo?

Sem obter resposta, a única saída era responder a mensagem de celular de sua amiga Roberta ( jornalista cinco anos mais nova que Amanda e mais neurótica que ela) e dizer que passaria na casa dela às 6h45 para irem a uma tal de trilha ecológica. Encontraria ainda Mariana, mestranda em língua alemã, e Juliana,estudante de química, sorridente, vizinha de Amanda e aspirante nas aulas de inglês.




fonte: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.com/_Lq0Lib4krWI/S-mj-LjB99I/AAAAAAAAASA/7lZe1Bc21dg/s1600/4556392386_85f9ec6a78_large.jpg&




Tubo de repelente, garrafa de água, barrinhas de cereal e óculos de sol na bolsa, a garota de estatura média- cabelos escuros (antes loiros) o que mostra as indecisões da moradora da Vila Prudente- estava pronta pro compromisso. Entretanto, faltava-lhe algo.

Pensava em Raul. Como aquele judeu de olhos graúdos, barba rala e mãos pequenas poderia ser tão insensível, ao contrário do que parecia ser naquelas noites no quarto de motel?

Para a infelicidade dela, ele não retornou suas ligações, mas depois de dois dias mandou um email dizendo que estava confuso e não sabia o que fazer. Ele, como qualquer homem do século XXI, depois dos 27, estava em dúvida se morava sozinho, se assumiria Amanda como namorada, ou se voltava para a ex-companheira.

Elas chegaram cedo à cidadezinha habitada por imigrantes ingleses e índios no século XIX. Desceram as ladeiras estreitas e sinuosas sob um sol tímido de primavera para chegar a vila que mais parecia o cenário de novelas de época da Globo.

Lá, não encontraram muita coisa interessante.Casas de madeira padronizadas e pintadas de marrom escuro, e cães de estimação como se fossem guardas. Mas Amanda,mesmo distraída como se encontra, conseguiu ver uma coisa boa naquilo tudo.

Era o rapaz de cabelos presos e longos- provavelmente um paranapiacabense que deveria ter uns 24 anos- com uma tatuagem do símbolo de infinito em um dos antebraços, camisa da seleção italiana, bermuda e chinelo. Seus olhos- fechadinhos no canto- pareciam com aqueles do modelo do clip Precious Illusions, da cantora canadense Alanis Morissette.







Fonte: http://www.fanpop.com/spots/alanis-morissette/images/14974265/title/precious-illusions-screencap




Ele conversava com a dona Francisca, senhora dona de uma casa de artesanato que levava seu nome, sobre o movimento da cidade naquele feriado de 15 de novembro.
O nativo de Paranapiacaba- o qual as três garotas o apelidaram de “neto de Francisca”, notou o olhar de Amanda que, há alguns minutos, reparava a beleza exótica (uma mistura de caiçara com roqueiro) do rapaz.

A aproximação dele foi certeira: falou com as três moças, perguntou se era a primeira vez que elas estavam ali, e elogiou a cidade em que mora. Porém, o que o deixava inebriado eram os olhos castanho-claros,a pele rosada, o sorriso com gloss, e o jeito dócil, delicado e romântico da jovem se expressar.

Enquanto isso, Amanda e Luan se conheciam. Falavam sobre a natureza, a cidade histórica e afinidades que foram descobrindo ao experimentar as “químicas” dos respectivos corpos.

Foram momentos de pele. Algo que possa existir entre atração física , mas que não chega a ser paixão. Amor, muito menos. Tão menos que Luan, como um moço leviano e despreocupado que era, passava a sensação de que era um homem que não criava raízes. É independente, mora sozinho, trabalha na ferrovia perto de casa, se apaixona, mas não cria laços fortes.

Amanda topou corresponder a uma aventura de um feriado em novembro que, por mais que não fosse no dia de finados, morreria ali mesmo. O que a coordenadora de uma escola de idiomas queria, era esquecer por algumas horas que poderia ser trocada por Raul como trocar de roupa, ou esquecida como sapatos velhos de camurça no verão- os quais ficam no closet, à espera de uma ocasião especial.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Na bandeira 2

Já eram onze e meia da noite e ela não podia mais esperar. Ligou para Bernardo, seu atual namorado, e desmarcou o cinema. Ele chegaria mais tarde porque tinha que terminar um projeto de mídia para os magnatas japoneses de uma indústria automobilística. Mariana sugeriu que comessem algo em casa. Tinha que passar a noite em claro para editar algumas fotos para uma revista.


Ela estava sem carro, e, como uma mimada paulistana do bairro da Mooca, preferiu chegar em casa de taxi. Primeiro passou num café, na avenida Paulista para comprar um chá preto. Sabia que a cafeína do chá a deixava com dor de cabeça. Por isso tinha na bolsa cartelas de paracetamol para resolver o problema. Essas eram uma das coisas que não conseguia ficar sem.


Achou estranha a pouca movimentação da avenida aquela noite. Talvez o frio tivesse acanhado ainda mais os corações solitários que optaram por não se arriscar em mesas de madeira e copos americanos de cerveja na gélida NY paulistana. Fez sinal para um taxi. Entrou, e pediu que a levasse para a avenida Paes de Barros.



Enquanto isso mandava sms´s ansiosas pois queria vê-lo logo. Atendeu telefonemas dos amigos da "firma", confirmou reuniões por email e mandou twitts revoltados no perfil da presidenta, a Dilma.


Durante o percurso, se lembrava dos velhos tempos em que estava com Vinícius, jovem de 25 anos, o qual ela viveu um romance quando tinha 17. Frequentavam o Madame Satã juntos e ficavam na porta do Moto Aventura, na avenida São João, a noite inteira, com um galão de vinho barato. Não queria mais nada, além dele e da bebida. Recordava como era bom andar abraçada com ele e se abrigar do frio, já que sempre esquecia o casaco antes de sair de casa.







Um dia, decidiram não mais se ver. Vinícius queria voltar a ver a ex-noiva que um dia foi embora da casa dele depois de uma discussão que envolvia os R$400 de aluguel. Ela, ficou meio perdida. Chegou a dizer que ele era vazio, mas nada adiantaria. Não tinha como proibir que uma pessoa saísse da sua vida.


No semáforo, percebeu que o motorista do taxi a olhava fixamente pelo retrovisor. Numa dessas, Mariana correspondeu e disse a ele que sabia quem ele era o tempo todo. Só não disse nada antes porque Vinícius estava mudado. Cabelos penteados como executivo, e roupa social. Nada a ver com as roupas pretas que usava antes.


Ele a elogiou. Ela, sutil, agradeceu. Perguntou se ele estava há muito tempo no ramo, sobre velhos amigos, e o infernal trânsito da cidade. Mas não lembrava a ele do que passaram no inverno de 2007. Vinícius gostaria de dizer que se arrependeu e que talvez voltaria a sair com ela.


Os dois se despediram, ela entregou as notas de R$10 e saiu. Estavam com a sensação de que poderiam ter dito algo mais, correspondido um pouco mais. Mariana agora não tinha mais como dizer que, lá no fundo, ela adoraria que isso acontecesse de novo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O bloco do eu sozinho

Foi um dos dias mais felizes da vida dela. Ele viria de Teresópolis para passar o final de semana numa cidade do interior de Minas Gerais e finalmente, saber quem eram os pais da moça.

Conheceram-se naquele carnaval de 2009, cheio de bêbados pelas ruas estreitas de Além Paraíba. Ele estava de ela. Com batom vermelho, peruca loira, saia curta e um top com duas laranjas. Uma impecável donzela. Já ela estava de macacão, bigode feito de lápis de olho e tentava dar uma coçada bem masculina na região genital.

Estavam apreensivos. Gostariam de encontrar alguém interessante em meio a homens feito mulheres desengonçadas, de maquiagem borrada e gestos extravagantes. Parecia impossível flertar num carnaval de sexo invertido. Mas para Renato, nem as laranjas como seios o impediram do seu objetivo.

Subindo a ladeira que dava para a praça principal, avistou um homem lindo; bigodes grossos, sobrancelhas acentuadas e cabelos longos escondidos dentro de um boné do MST (Movimento Sem Terra). Era Karina, estudante de história da faculdade federal do Estado que descia em busca de um banheiro. A jovem de 23 anos bebeu demais e disse para sua amiga que precisava “dar uma mijada”.







Foi arrastada pela correnteza de gente estarrecida pelo suor do clima carnavalesco mineiro e pelas latas de Itaipava, cerveja de Petrópolis que por coincidência , é cidade vizinha a de Renato. Ele, como um libriano passivo resolveu só observar quem era o "peão de obra" que descia tão depressa e tão loucamente.


Karina e Juliana passaram. Cheiros se encontraram, perfumes se perceberam, como suores também. Mas o consultor de segurança privada atentou-se a essência doce da água de colônia de Karina. Fitou-a nos olhos, mas ela nem se deu conta.


Na volta, aquela “mulher sedutora” estava lá. Pegou nas mãos delicadas do “servente de pedreiro” e descaradamente pediu um beijo. Ela deu, e não foi só isso. Tanto que em outubro oficializaram o namoro, embora ele ainda dizia a sua amiga paulistana que ela era sua “quase namorada”.


Então naquela noite de janeiro abafada depois do toró, Renato levava uma humilde caixa de chocolates derretidos para os pais de Karina e para ela, uma rosa branca. Ele não tinha noção qual era a cor do amor. Se é mesmo que ele tem cor.








Ela estava realizada. Conhecera um rapaz trabalhador, cauteloso e que tinha um nariz que chegava onde a língua às vezes não pode chegar. Ele estava sucintamente satisfeito. A “quase” companheira que se formaria dentro de dois anos vendia produtos de beleza com muito orgulho e já tinha negocio próprio.

Ele a via quinzenalmente, embora a distância entre Além e Terê (como ele abrevia o nome das cidades) fosse de 3horas de viagem.
Ela não queria muito. Talvez se tornar consultora plena a abrir uma franquia na capital, pois acreditava que um álbum de fotos dos produtos no Orkut davam pouca visibilidade mesmo os atualizando a cada 3 semanas.






Renato queria alguém só para esquecer que vive sozinho. Enquanto não estava com Karina, jurava promessas fáceis de casamento à moça pelo msn. Ao mesmo tempo que conversava com ela, dizia que não conseguia esquecer a paulistana que havia conhecido quando foi à São Paulo participar de um workshop de sistemas inteligentes.
Falava para Clara que sentia a falta dela. Ela acreditava. Mesmo sabendo da existência do “quase” amor da vida de Renato




No fundo, a paulistana e gerente de criação publicitária se perguntava: porque ao invés de estudar tanto, não fui vender cosméticos?
Não se conformava como as coisas mais simples que buscava nas pessoas poderiam aparecer de forma descompromissada, sem objetivos faraônicos e pós-graduações completamente cursadas.

Ela sabia que Renato, ao final de todas as noites pensaria primeiro em Karina e quem sabe depois, nela. Continuaria mesmo assim, com a vontade de acreditar na ideia de que ele, como sempre dizia, estava esperando um convite seu para voltar a se verem.

domingo, 27 de junho de 2010

She´s on sale

There was Ana. She had come back from work with a green bag full of instant soup and selected vegetables. She had gone down to Florida lane with dreams, worn out and 150 dollars to spend that night. She is living alone, like that culture magazine with the same name of her situation. Her parents are living far away from the city and can´t imagine the kind of job their daugther has gotten. Just receiving the money at the end of the month is enough. Ana was the pride of the 8 children because she had managed to get in New York.

A woman with long and wavy hair, dimples and beautiful legs wouldn´t need too much effort to get her parents the money, the flat rent in the south of the city, college and car tuition. Just a few hours with an Italian tycoon was enough for something that money can buy.


She had always phoned saying that she would change to a cheaper appartament, and kept saying she still hadn’t done that before because she wished to be just like her friends from the Publicity Course: lunching at expensive restaurants, having a good lifestyle and looks like she had never had before. Then, the college was a pretext for the whole luxury she had to bear.



Ana wasn´t happy and hasn´t gotten to achieve some plans since she arrived here. Actually, she fell down in underworld of anonymous silhouettes by her friend. In the begining, a few hours and little moments with strange guys hadn´t seem to detract more than their appearance, but her soul, feelings and desires.


She wishes she could finish college as soon as possible to bring Alice, her sister, to live together. But it didn´t work. Her debits increased more each day, because she has gotten to be a showcase woman.

She wanted to choose dishes, wines, expensive trench coats to be a good looking chick, so then she could show her clients how refined and ellegant she was, and couldn’t be pleased with small things. Besides, she wanted to be a woman whom some dollars could ever afford her attitude, expectations and awesome sexual performances. That’s why she was on sale, with her curves, face and mouth. She was there, Putting her decisions off for better days that supposedly would be called love, hope and salvation. Wearing sleek dresses, long necklines and absolutely decided to earn life herself on her own.





Rewied by Amandita

domingo, 20 de junho de 2010

Um quase delírio

A partir daquele dia resolveu não mais esperar. Ela se foi ligeira, sem delongas, firulas e sem a expectativa de receber mensagens no celular no dia seguinte. Penteava os cabelos longos depois de os ter lavado na água morna daquele chuveiro simples do quarto do hotel. Passou base, delineador, rímel, mas também teve que colocar um corretivo com extrato de maracujá nos olhos. Não queria que as meninas da recepção, nem quem chegasse perguntando o andar da sala de coleta de exames a visse com as olheiras que sempre teve.

Pegou um pedaço de pão, beliscou o mamão e nem quis o leite. Queria na verdade não ter deixado de estudar com o filho que tinha uma prova de álgebra e binômios naquela manhã. Fabiana estava leve entre as pernas; despreocupada, aliviada e desprendida. Mas por dentro sentia remorso por ter se desligado dos problemas aritiméticos de Bernando para dar atenção ao poder fálico, um lance antigo que voltava para tirá-la do sério novamente. Edson, o rapaz com perfume de essência cítrica, dessa vez queria comprar um apartamento, uma LCD nova, aprender a cozinhar e a lidar com Zara, a Rotweiller de Fabiana. Também estava disposto a conquistar Bernardo, levá-lo para assistir os jogos de classificação do Santos para o Brasileirão lá na Vila.


Como um ariano descabeçado, intenso e de coração grande, depois de dois anos pediu à Fabiana para jutarem as escovas de dente. Mas a recepcionista de um metro e meio e voz suave, disse que aquele não seria o momento porque estava quase terminando de pagar o tratamento dentário, as prestações do notebook, o 7º semestre de psicologia, os remédios do pai hipertenso e o inglês do filho. Parecia que Fabiana estava leviana quanto aos sentimentos. Como estado civil, mostrava-se completamente desinteressada em investir no amor de Edson e em orgasmos rotineiros como o daquele durante o banho.

domingo, 6 de junho de 2010

Bonequinha de Luxo

Sentada do lado da janela, Gabriela, já com rímel, blush e sombra prata nos olhos pensava nas contas do final do mês. A caminho do trabalho, também no Aeroporto/Miruna, ela evitava olhares com o motorista, o cobrador, ou qualquer pessoa que cruzasse com ela. Deve ser apatia geminiana, pensei. Ou mesmo porque ainda eram seis e quinze da matina. Pelo que eu a observava, a morena não abriria a boca tão cedo a não ser para bocejar.

Tentei me aproximar da jovem. Queria saber sua rotina, seus gostos, seu signo, série de tv que mais gostava. Não tudo de uma vez, claro. Mas mais do que o nome não quis me responder. Gabriela não quis tirar foto e muito menos, continuar aquela conversa. Pensei que renderia uma boa personagem como passageira daquele azulão (o ônibus). Sem sucesso, depois de saber apenas seu nome, fui criando seu estereótipo.

Via uma Gabriela tão forte quanto sua graça. Prestimosa, feminina, mas por azar, era realmente muito antipática. Estava com alguns livros de psicologia. Folheava o caderno com fichamentos sobre o que Freud também não tinha vontade de explicar. Muito menos ela. Preferia tentar ler e ao mesmo tempo escutar o que o Sorriso Maroto poderia dizer para confortar seu coração, que estava sensível depois que o boyzinho do Mackenzie terminou com ela.

Uma típica paulistana nascida na década de 90. Introspectiva, que não pede licença no ônibus lotado, que fala rápido ao telefone, escreve "naum" no msn, prefere feijão ao lado do arroz não por cima, e principalmente, que tem vergonha ao falar da sua vida sexual. É tímida. Sem assunto, mal dormida e que provavelmente pegou o ônibus aquela manhã porque era rodízio do seu New Beatle. Com certeza, não fazia parte daquele mundo.

sábado, 22 de maio de 2010

O cartão de visita

A primeira vista, a garota encostada no pé da escada estava dormindo, pescando, ou querendo esquecer que tinha acabado de levar uma bota do garoto de cabelo arrepiado, o último cara que ela tentou ficar naquela noite.
Mônica não chamava atenção naquele inferninho underground da rua Augusta. Usava a melissa prateada que parcelou em três vezes no cartão, uma calça jeans agarrada e um coletinho à David Bowie por cima da blusa branca. Não estava cafona. Era uma boa roupa para aquilo que seus amigos chamavam de balada. Às três e meia da madrugada, Mônica não aquentava mais dançar o som corno do Placebo. Joana, a amiga sensei inseparável, deixou a baixinha de lado e foi pra roda de Skol que estava bem mais interessante do que ver Mônica babar.

A garota da sapatilha brilhante estava lá. Sentada de baixo da caixa de som encostada na parede. Não queria a atenção de ninguém. Nem água, nem cerveja, nem comanda vip. Mônica estava num sono profundo, parecia um coma alcoólico. Do outro lado da pista, Gianfrancesco, um loiro narigudo de all-star laranja olhava Mônica dormir a noite toda. Ele continuou em pé. Com a fadinha verde na mão e olhando para o rosto semi-acabado, porém feliz, de Mônica. E diferente de muitos garotos dali, não flertou com ninguém a noite toda.

O moço do all-star laranja não merece tanto mérito assim. Ele foi embora antes do show do Bonde do Rolê terminar. Mas ele queria Mônica, beijá-la, conhecê-la, comê-la, enfim, a queria. Mas antes que tudo terminasse em olhares e vontades não satisfeitas, o cara do all-star laranja deixou com Joana um cartão de visita dele. Gianfrancesco, de família rica, publicitário, dono de um Tucson e uma Ecosport, desejava ver a lucidez da garota de melissa prata em uma ligação. Gianfrancesco era simpático, inteligente, com dentes lindos e com cara de que mandava bem na cama. Quando recebeu o cartão de Joana ao acordar, ela pensou que poderia valer a pena, embora a atitude de gente feia, como Mônica disse, pudesse desanima-la.

Às seis da manhã voltava pra casa. Pra ela, a noite foi definitivamente uma merda. O bonde do Rolê mais parecia o bonde do tigrão disfarçado de banda de rock. O sapato novo apertou, fez calo, e o colete brilhante ficou nojeto depois do porre. Mas além dos impercalços, Mônica mancando, na medida do possível, foi com toda a pressa que tinha para descobrir se o garoto dos seus sonhos poderia ser o suposto feio que lhe deu um cartão.

domingo, 16 de maio de 2010

Trailer do filme Quanto Dura o Amor

É ela

- Jair, boa noite?
-Boa noite Jair, é a Kathia, tudo bom? Posso confirmar a sua presença na coletiva de imprensa amanha às 9, pode ser?
-Sim, claro. A matéria é para quantos portais?
-Três e mais uma nota pro Link, caderno de tecnologia.
-Ok, até amanhã.

Depois de atender a secretária, Jair tomou o último gole de café, pegou o casaco e saiu triste pela porta da agência de notícias. Faltava-lhe algo. Alguma coisa que não atendia por nome de saideira, x-burguer do bar do Athaíde, ou doses de Engov. Era ela. Joice, dos lábios carnudos, do vestido preto de costas nuas e sombra escura nos olhos verdes. Ele, como ela, também tinha um pseudônimo que usava nas horas vagas. Só que o dele, ao contrário do dela, não dava lucro. Servia para assinar as crônicas que escrevia e que nunca publicara por falta de coragem. Era sem dúvida, um jornalista frustrado.

Além da falta de talento literário, Jay teve o azar de se apaixonar pela prostituta mais cara da avenida Indianópolis. Joice, a morena que só atendia programa completo estava cansada do mesmo cliente que toda noite de serviço, pedia para que acariciasse os cabelos grisalhos e dormisse de conchinha. A transa de três vezes por semana agora era apenas uma. Não porque Jair estava zerado, mas porque Joice tinha pressa. Não fazia mais questão dos 500 reais de lucro que lhe rendia aquele encontro.

Depois da primeira gozada, a jovem de 19 anos descia a saia, arrumava o decote e despedia-se. Estava insatisfeita, aflita e começando a gostar do paulistano quarentão. Por isso, após quitar as contas da última quinzena, decidiu não se culpar pelo que sentia e atendeu os telefonemas de Jair, que até então, passava as noites numa tarefa sexual solitária.

Voltaram a se ver. Desta vez, na casa dela. Na sala, onde havia um sofá, uma estante e a tv, Jair lia para Joice suas tentativas de romantismo. A maioria deles terminavam com a idéia de que o amor pode ser tão impossível como o relacionamento deles. Ela dormiu. Ele de novo, apelou para a tarefa sexual. Não queria acordá-la, tinha a sensação de que desta vez, Joice era finalmente sua.

Pediu ela em namoro. Ela disse que sim, e começou a economizar para comprar um guarda - roupa. Ele, bem mais econômico que ela ,levava marmita para redação e tomou a decisão de, até pagar o apartamento, não passar mais no bar do Athaíde. Jair liquidou as parcelas do imóvel. Ela fez outra prestação, agora, de um fogão. Tinha projetos de vida de não mais literalmente, “dar pra viver”.

Mas naquela noite de maio, meio fria, lá no apartamento de Jair, Joice fazia as malas. Jair abriu a porta e, quando viu, ficou estático. Ela o olhou, ressentiu, fechou o zíper da bolsa e disse: obrigada, mas preciso de mais espaço para minha vida. Joice não quis contatos intensos, por isso, ao sair, beijou-lhe o rosto e deixou a impressão de ser como muitas delas; estritamente profissionais.

domingo, 18 de abril de 2010

O hétero de chiffon

Ele chegou cedo aquele dia. A marginal Pinheiros, às 6h45 por sorte estava sem lentidão. Alex subiu as escadas às pressas pois tinha reunião logo cedo e precisava imprimir os relatórios que esqueceu no dia seguinte, porque saiu mais cedo para um happy-hour em plena terça-feira. Na saída para o almoço viu Luana do departamento Executivo e elogiou suas botas carmesim que usa por dois anos consecutivos. Disse que ela estava linda. Ele apenas gentilmente agradeceu e pensou: o que faço para ficar com ele? Mas antes de responder foi interrompida pela ligação do ex.
Alex comentou sobre política com o Flávio de exportação, de futebol com o Almeida, mas o que ele gostava na verdade era comentar as exposições de arte sacra da Pinacoteca com o Gabriel do Jurídico.

Na volta pra casa pensou em comprar frutas e cereais para continuar a dieta, mas foi surpreendido quando viu o novo blush da M.A.C, aquele que sua irmã dizia que realçava muito bem as maças do rosto. Ele sabia que tinha compromisso às 10, mas antes passou o tempo na nostalgia do último encontro do fim de semana. Chorou pouco porque não podia ficar com olheiras para apresentação. Exagerou no blush e preferiu o preto básico. Também achou melhor pegar um táxi até a rua dos Ingleses.







Lá encontrou Lucas, o cara que o fez suar naquela kit net do centro. Ele acenou. Alex sorriu, só não fez mais porque as luzes da boate não permitiram uma boa performance além do "bate cabelo". Ele não tinha o telefone de Lucas, o jovem de 20 anos que cheirava a hortelã mesmo que depois do sexo. Também não quis ir atrás. Sentia-se melhor na companhia das doses de Bromazepam.

Às quatro da manhã Alex já estava em casa. Depressivo, com calos nos pés, ao lado dos comprimidos manipulados com anfetamin e do livro de cabeceira " O Monge Executivo". Pensava em mudar de vida, tentar ser hétero, coçar o saco entre os amigos da firma e finalmente transar com Luana. Mas preferiu ir dormir ao som de "Unbreak My Heart" de Toni Breaxton, pensando no Gabriel e qual calça daria certo com a camisa de chiffon.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A boa culinária da Vila


Nas esquinas da rua Joaquim Távora com a rua Rio Grande, apreciadores da boa culinária encontram diversidade do requinte ao simples


Por Daniela Melo, Ingrid Araújo, Patrícia de Lara, Roberta Carli


Vila Mariana, um bairro tradicional da zona sul de São Paulo, concilia residências, serviços e comércio com uma excelente infra-estrutura. Devido a sua localização privilegiada, próxima ao centro da cidade, como a Avenida Paulista, aeroporto de Congonhas, Ibirapuera, entre outros, o bairro concentra um grande número de instituições educacionais o que garante a grande concentração de pessoas, especialmente de jovens. O espírito empreendedor que marcou o florescimento do bairro explica a qualidade de vida de seus moradores e também os atrativos para quem está apenas de passagem.
Para quem busca uma maneira de descontrair e apreciar bons pratos, uma boa pedida é a diversidade do triângulo gastronômico. Com a maioria das opções da culinária brasileira situadas nas esquinas das ruas Joaquim Távora e Rio Grande, essa diversidade é composta pela originalidade da comida mineira oferecida pelo Gamela Bar e Restaurante, pelo requinte em frutos do mar do boteco Paróquia e pela simplicidade dos petiscos do Barxaréu.


Sobre o Gamela
No Gamela Bar e Restaurante, num amplo sobrado com a decoração rústica típica mineira, objetos e peças de artesanato do Estado de Minas Gerais complementam o ambiente. Os apreciadores desta culinária podem desfrutar a especialidade da casa, o Triângulo Mineiro. Este prato contém carne de sol, carne seca, costela suína servida com arroz, feijão de corda e puxada na manteiga de garrafa. Outra opção é o ‘Escondidinho’, o carro chefe da casa e é servido com carne seca desfiada coberta com purê de mandioca, acompanhado de arroz, feijão de corda e couve e para a semana santa eles servem a Bacalhoada feita com pimentão, cebola, tomate e azeitona e acompanhada de purê de Batata,
O cardápio deste bar e restaurante é amplo e suas especialidades vão desde porção de torresmo, pão de alho até os tradicionais peixes, como salmão grelhado e filé de pescada.
Segundo Daniel Bartolettlo, gerente da casa há dez anos, afirma “A comida mineira com tempero forte é procurada mesmo nos dias quentes. Nossa clientela vem mesmo para saborear estas especiarias”, diz.

O Santo Choop
Já no Paróquia, bar estilo boteco chique, requinte e criatividade estão presentes no menu, onde os pratos possuem nomes ligados ao universo das igrejas católicas . Mesas de madeira na calçada e num salão pequeno, espelhos, artigos religiosos, quadros pendurados nas paredes com matérias sobre o estabelecimento e um charmoso balcão para atender a clientela harmonizam o ambiente.
O ‘santo chopp’ é a especialidade da casa e os frutos do mar ganham destaque na culinária. O boteco chique tem a exclusividade da AmBev, e há quatro anos consecutivos é considerado o ‘rei do colarinho’ pela RAC, Real Academia do Chopp.
De acordo com José Rodrigues, 46, à frente da gerência há cinco anos, “trabalhar com frutos do mar e ter a especialidade em saber tirar o chopp com colarinho, é um diferencial do bar, pois são poucas casas na região que conseguem manter uma clientela cativa e fiel com esses produtos”, relata.
As recomendações para os “fiéis”, segundo o cardápio, são a ‘Santa Ceia’, prato que é um mix de frutos do mar, com polvo, lula, marisco, camarões, peixe a provençal, molho a base de tomate, alho poró, azeite extra virgem, um toque deshoyo. Outra pedida é o Divino, caldeirada de frutos do mar servido à mesa no reuchaud. Caldo da Ressurreição, costela do Frei, Terço, e outros completam o cardápio.


O mais vendido
Em frente ao Paróquia e ao Gamela Bar está o Barxaréu, para fechar o triângulo gastronômico. Com o aconchego e a simplicidade deste boteco, mais a originalidade dos seus petiscos, as suas esquinas estão sempre muito movimentadas. O bar trabalha com uma variedade de cachaças além das bebidas e drinks de costume, é especialista em cervejas nacionais e internacionais. Os diferenciais são os petiscos no tacho, calabresa de metro, bolinhos de abóbora com carne seca, de mandioca com carne seca e os de bacalhau. O carro chefe da casa é a ’Picanha no Réchaud’, prato com picanha grelhada servida na pedra, acompanha farofa e vinagrete
Para Leonel Mattos, proprietário do local, “desde 2004 o Barxaréu participa do boteco Bohemia”, declara. “E neste ano vencemos o concurso com o bolinho de mandioca com carne”, comenta.

Sugestão de Prato do Bar Gamela
Triângulo Mineiro e seu custo:
R$40,90 para três pessoas,
R$31,90 para duas pessoas
R$18,90 para uma pessoa.
Escondidinho a custo de:
R$29,90 para duas pessoas.
Bacalhoada:
Custo de R$ 21,90 por pessoa.

Sugestão de Prato do Bar Paróquia
Santa Ceia:
Que custa a bagatela de R$ 70,00 (serve três pessoas).
Divino:
Custo de R$46,00 (serve duas pessoas).

Sugestão de Prato do Barxaréu

Porções:
Custo de R$ 17,80 a 21,80 a porção com 12 unidades.
Picanha no Réchaud
Custo de R$ 51,90.


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Conheça Gamela